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| Pesquisa mede impacto da agropecuária no ambiente |
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| Escrito por DCOM |
| Seg, 01 de Fevereiro de 2010 00:58 |
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Pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) mostra que o modelo de desenvolvimento agropecuário existente no país pode se tornar insustentável em longo prazo devido aos impactos que produz sobre o meio ambiente. Como a economia do país depende fortemente da agropecuária – setor responsável por cerca de 30% do PIB -, os prejuízos sociais e ambientais podem repercutir por toda a sociedade. O estudo foi desenvolvido pelo biólogo Diego Pereira Lindoso do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS). Ele realizou um estudo de caso em três municípios do norte do Mato Grosso, estado que se tornou expoente da produção agropecuária brasileira a partir da década de 1970. Em sua pesquisa, Diego analisou Alta Floresta (pólo agropecuário no estado), Sorriso (principal produtor de soja nacional) e Feliz Natal (localizado na frente de expansão agrícola). As diferentes características dos municípios permitiram que o pesquisador avaliasse como o desenvolvimento socioeconômico repercute no meio ambiente e vice-versa. Para tanto, utilizou diversos tipos de dados relativos a desmatamento, emissões de gases de efeito estufa (gás carbônico, metano e óxido nitroso), além de indicadores sociais e econômicos. Diego constatou, por exemplo, que em Alta Floresta, a participação da pecuária na emissão de gases de efeito estufa saltou de cerca de 10% em 2001 para 30% em 2007. No município de Sorriso, as culturas de soja responderam por 60% das emissões em 2007, sendo que esse número era de 5% em 2001. Em Feliz Natal, as emissões de gases estufa estão quase 100% relacionadas ao desmatamento. Ganhos e perdas Como a capacidade de sequestro de carbono (remoção de gás carbônico realizado, por exemplo, por meio da fotossíntese nas florestas) diminui por causa do desmatamento para abrir pastos e campos de soja, a relação entre o ganho socioeconômico e a perda ambiental fica desequilibrada. “É inquestionável que o modelo agropecuário traz benefícios econômicos para os municípios do Mato Grosso. Mas será que os benefícios valem os custos ambientais e sociais em médio e longo prazo?”, pergunta Diego. Assim, o trabalho do pesquisador mostra que o modelo brasileiro de desenvolvimento agropecuário – extensivo em terras, intensivo em recursos naturais, concentrador de renda, com baixa agregação de valor e vulnerável às incertezas da economia mundial - é insustentável em longo prazo. “As mudanças climáticas irão tornar as dúvidas ainda maiores. Apesar dos avanços dos últimos anos ainda estamos muito aquém do necessário”, defende Diego. “Portanto, não é a pecuária ou a agricultura que é insustentável, mas sim o modelo de produção”. Repercussão do prejuízo Além de aumentar as emissões de gases de efeito estufa, a destruição das florestas também prejudica o ciclo hídrico e a manutenção da biodiversidade. Contudo, o modelo de produção agropecuária brasileiro não computa os custos ambientais e as consequências climáticas e, por isso, os preços de nossos produtos tornam-se competitivos no exterior. Em contrapartida, outras pessoas, que não tem nada a ver com a produção agropecuária, poderão sofrer as consequências do impacto desta atividade sobre o meio ambiente. Diego assinala que alguns estudos sugerem que a Amazônia é reguladora do abastecimento de água de propriedades rurais e cidades do centro-sul brasileiro, da Argentina e do Paraguai. Assim, o desmatamento para plantar soja ou criar gado no norte do Mato Grosso pode fazer com que essas populações sofram com falta d’água ou tenham que pagar mais caro por este recurso no futuro. “Esta é outra pergunta que deve ser respondida: quem vai pagar pelos custos ambientais e sociais?”. Alternativas O cenário atual, decorrente dos processos sociais e econômicos do passado, sinaliza para um futuro não muito promissor. O esforço governamental é fundamental, mas por si só não é suficiente para mudar o quadro. “As políticas públicas são importantes no primeiro momento porque não adianta condenar um modelo de produção sem oferecer alternativas de emprego sustentáveis para as pessoas que estão envolvidas nele”. Por isso, a sociedade desempenha um papel fundamental. “Os consumidores da soja e da carne brasileira, inclusive da Europa, podem exercer pressão para que a produção seja mais responsável do ponto de vista ambiental”. Outro aspecto relevante, afirma, é realizar estudos e pesquisas que abordem a realidade local, pois, desta maneira, será possível implementar ações condizentes com as necessidades de cada localidade. “Sorriso e Feliz Natal são municípios vizinhos, mas tem situação oposta, por isso as ações em cada localidade não podem ser as mesmas”. Diego Pereira Lindoso é graduado em Biologia (2006) e mestre em Desenvolvimento Sustentável (2009) pela UnB. Atualmente, é doutorando no Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Também é pesquisador dos projetos LUPIS (Land Use Policies and Sustainable Developing in Developing Countries) e da Rede Clima coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Instituto Nacional de Pesquisa Espacial. Fonte: Revista Envolverde
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